quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Cronologia histórica de Asseiceira - 5

Terminamos este ano, o qual ficou marcado por uma divulgação nunca antes feita com esta dimensão da História de Asseiceira, com mais uma actualização da cronologia histórica do antigo concelho.
É a síntese de um vasto conjunto de dados que permite a qualquer pessoa, em qualquer canto do mundo, aceder em segundos aos factos mais relevantes da História da nossa comunidade.
Usem e abusem, partilhem com os amigos.
O objectivo principal é percebermos melhor o que somos hoje a partir do que foi o nosso passado.

Destaque da Ceiceira e região envolvente no primeiro mapa de Portugal (imagem completa do mapa aqui), feito por Fernando Álvares Seco presumivelmente entre 1531 e 1539 e publicado em 1561. 


ANTES DA NACIONALIDADE

Época pré-histórica - vestígios arqueológicos desde há 300 mil anos

Época romana - origem do topónimo Asseiceira e lenda de Santa Cita



SÉCULO XIII
1218 - Referência escrita mais antiga a Asseiceira

1222 - Doação de Asseiceira a Pedro Ferreiro

Meados do século XIII - Doação aos franciscanos para construção do Convento de Santa Cita

20 de Novembro de 1253 - Dispensa de fornecer homens, cavalos e armas

19 de Dezembro de 1281 - Confirmação da doação de Asseiceira à Ordem do Templo

5 de Maio de 1287 - D. Dinis proíbe aplicação de foros sobre Asseiceira

27 de Abril de 1294 - D. Dinis confirma a nomeação de juízes para Asseiceira



SÉCULO XIV

18 de Fevereiro de 1301 - Asseiceira recebe carta de privilégios e de povoamento

28 de Setembro de 1303 - Primeira referência à igreja de Santa Maria de Asseiceira

2 de Abril de 1307 - Primeira referência à vila de Asseiceira

2 de Janeiro de 1315 -Foral de D. Dinis - criação do concelho de Asseiceira

1320 - Primeira referência à paróquia de Asseiceira

5 de Maio de 1329 - Relego dos vinhos por D. Afonso IV

1360 - Referência ao templo a Santa Cita

2 de Março de 1365 - Confirmação de privilégios por D. Pedro I

1367 - Confirmação de privilégios por D. Fernando

15 de Novembro de 1370 - Referência aos oficiais e juízes do concelho

5 de Julho de 1391 - Primeira confirmação de privilégios por D. João I

22 de Julho de 1397 - Confirmação dos prédios rústicos e do "Couto"

5 de Novembro de 1398 - Segunda confirmação de privilégios por D. João I



SÉCULO XV

2 de Março de 1403 - Terceira confirmação de privilégios por D. João I

5 de Julho de 1429 - Quarta confirmação de privilégios por D. João I

22 de Julho de 1435 - Confirmação de privilégios por D. Duarte

1436 - D. Duarte liberta lavradores do concelho da jugada de pão, vinho e linho

25 de Março de 1439Confirmação de privilégios pelo infante regente D. Pedro

1439 - Queixas do procurador de Asseiceira nas Cortes de Lisboa

1440 - Confirmação do Convento de Santa Cita pelo papa Eugénio IV

10 de Novembro de 1449 - Confirmação de privilégios por D. Afonso V

14 de Julho de 1452 - Carta de D. Afonso V ao Convento de Santa Cita

16 de Dezembro de 1462 - Herdades da Beselga para Santa Maria dos Olivais

8 de Janeiro de 1463 - Outra herdade na Beselga para Santa Maria dos Olivais

19 de Janeiro de 1467 - Doação de Asseiceira a D. Pedro de Melo

1483 - Herdades da Beselga para a Ordem de Cristo

19 de Fevereiro de 1494  - Padroado da igreja de Asseiceira

28 de Agosto de 1494 - Herdades da Guerreira para Santa Maria dos Olivais

8 de Novembro de 1495 - Doação do padroado de Asseiceira a D. Pedro de Meneses

25 de Julho de 1497 - Confirmação de privilégios por D. Manuel

26 de Abril de 1499 - Segunda confirmação de privilégios por D. Manuel

5 de Novembro de 1499 - Terceira confirmação de privilégios por D. Manuel

1499 - Avaliação da igreja de Asseiceira


SÉCULO XVI
3 de Novembro de 1504 - Doação do padroado ao conde de Cantanhede

1 de Setembro de 1506 - Doação da renda das saboarias a Simão Lopes

2 de Novembro de 1514 - Foral de D. Manuel

6 de Janeiro de 1525 - Confirmação da doação de Asseiceira ao conde de Cantanhede

24 de Setembro de 1527 - Visita do escrivão do primeiro recenseamento do reino

24 de Setembro de 1527 - Data do registo da primeira referência conhecida à Mynhaxeira

24 de Setembro de 1527 - Data do registo da primeira referência conhecida à Lagoa do Grou

24 de Setembro de 1527 - Data do registo da primeira referência conhecida à Roda

12 de Outubro de 1527 - Documento mais antigo que se conhece referindo o Porto da Linhaceira

17 de Outubro de 1530 - Carta do juiz Manuel Nogueira onde refere a Linhaceira

6 de Agosto de 1542 - Confirmação de privilégios por D. João II

1544 - Data da coroa do Espírito Santo de Asseiceira

Maio de 1552 - D. João III descansa alguns dias no Convento de Santa Cita

1557 - Data existente na fonte de Santo António, em Santa Cita

1561 - Primeiro mapa de Portugal inclui a Asseiceira

Abril de 1581 - Filipe I descansa no Convento de Santa Cita

17 de Julho de 1586 - Primeira referência à Matrena

1591 - Confirmação do Foral de D. Manuel por D. Filipe I

1595 - Fabrico de vidros na Matrena

17 de Outubro de 1598 - Quezílias com a Ordem de Cristo por causa do rio Nabão


SÉCULO XVII

1605 - Engenhos e fazendas da Matrena

1620 - Quinta de Sant'Anna da Guerreira condenada pela Ordem de Cristo

15 de Outubro de 1622 - Acordo sobre o rio entre o morgado da Beselga e a Ordem de Cristo

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

História de Asseiceira, 55 - Açude da Guerreira

Em 15 de Outubro de 1622, embora a temática ainda seja a mesma (o que demonstra o domínio exercido pela Ordem de Cristo sobre o rio Nabão, recurso vital da época), parece que, pelo menos, pela leitura feita por Amorim Rosa, houve acordo entre o morgado da Beselga, Pedro Álvares de Abreu e Sousa, e a Ordem no que à madre do açude da Guerreira diz respeito.


segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

História de Asseiceira, 54 - Quinta de Sant'Ana da Guerreira

Em 1620, o estado de coisas piora consideravelmente, com António do Vale Sousa e Meneses, proprietário da Quinta de Sant'Ana da Guerreira (Quinta do Vale) a ser condenado pelo juiz da Ordem de Cristo a pagar o oitavo do vinho, não tendo aquele juiz competência para tal, uma vez que Asseiceira possuía juízes para os casos cíveis.
Mais um exemplo da ingerência do poder tomarense no vizinho concelho cuja autonomia fora sucessivamente confirmada pelos reis de Portugal.


domingo, 28 de dezembro de 2014

História de Asseiceira, 53 - Engenhos e fazendas da Matrena

No início do século XVII, em 1605, encontramos novamente um proprietário ribeirinho a contas com a Igreja, mas desta feita no próprio concelho. Mais uma oportunidade para termos uma visão da dimensão que então teria a quinta (ainda não nomeada como tal) da Matrena.


sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

História de Asseiceira, 49 - Primeira referência à Matrena

A Biblioteca de Temas Linhaceirenses deseja a todos os seus leitores e amigos um Natal muito feliz num ano sem par para a divulgação da História da nossa freguesia.


A primeira referência que encontramos aos moinhos da Matrena, e por extensão também ao próprio lugar, data de 17 de Julho de 1586, percebendo-se que teriam já um tempo de vida significativo.
Em relação ao topónimo, não é fácil discernir a sua origem. O lugar em si teria condições para desde cedo ser usado no aproveitamento da força motriz das águas do rio Nabão, que entravam num vale apertado depois das amplas várzeas.
Vale a pena ler tudo aquilo que Amorim Rosa escreveu no livro "A vila de Asseiceira e seu termo", não só para se perceber como a Ordem de Cristo "mandava" efectivamente no autónomo concelho de Asseiceira, mas também para a recolha de mais alguns dados importantes quanto à vida económica e social da época no nosso território e à sua relação com os territórios vizinhos.



terça-feira, 23 de dezembro de 2014

História de Asseiceira, 48 - Filipe I no Convento de Santa Cita

Outro visitante ilustre (ou não, dependendo da perspectiva mais ou menos neutral em relação aos factos da História) do Convento Franciscano que nos aparece ainda por esta época com referências a Vale Bom, foi, em 1581, o rei Filipe II de Espanha, a caminho da aclamação como Filipe I de Portugal nas cortes de Tomar.





segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

História de Asseiceira, 47 - Primeiro mapa de Portugal

O primeiro mapa de Portugal, da autoria de Fernando Álvares Seco, é datado de 1561 mas deverá ter sido elaborado nos anos trinta do século XVI, e inclui a Asseiceira, registada como Ceiceira. Aqui fica uma reprodução (para verem o mapa em detalhe, o ideal é guardá-lo no computador e abri-lo com o vosso editor de imagens) e, para uma vista mais rápida à zona que nos interessa especialmente, um recorte ampliado da nossa região.





domingo, 21 de dezembro de 2014

História de Asseiceira, 46 - Fonte de Santo António

Na mãe de água da fonte de Santo António, em Santa Cita, existe uma pedra com a inscrição 1557, que poderá ser, eventualmente, a da construção da mesma. No livro "A vila de Asseiceira e seu termo", Amorim Rosa comete um lapso ao datá-la de vinte anos antes.





sábado, 20 de dezembro de 2014

História de Asseiceira, 45 - D. João III no Convento de Santa Cita

Em 1552,  D. João II terá descansado alguns dias no Convento Franciscano de Santa Cita, que mandou reedificar. Por lapso, Amorim Rosa refere D. João II, mas a data em causa, e a acção, só podem ser relativas a D. João III.


sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

História de Asseiceira, 44 - Coroa do Espírito Santo

Um dos bens patrimoniais mais importantes da actual freguesia de Asseiceira é a coroa do Espírito Santo, existente na igreja matriz e datada de 1544. Esta peça em prata, com lavores renascença e encimada por uma pomba é a mais antiga das dezasseis que até 2011 desfilavam na Festa dos Tabuleiros em representação das respectivas freguesias.


quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

História de Asseiceira, 43 - Reinado de D. João III

Em 6 de Agosto de 1542, D. João III confirmou os privilégios de Asseiceira patentes nas cartas dos seus antecessores. O facto é citado por Amorim Rosa que, todavia, comete um lapso ao referir "D. João II".

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Cronologia histórica de Asseiceira - 4

Hoje é dia da habitual sistematização da História da freguesia. Os dados já publicados em cerca de quarenta artigos (e aqui apresentados em síntese com link para cada um deles) permitem começar a olhar para algo que já faz sentido.
Embora a maior parte já tivesse sido descrita por Amorim Rosa, são absolutamente novos numa História da Asseiceira os dados referentes às diversas aldeias do antigo concelho, que permitem sinalizar, para cada uma delas, a referência mais antiga de que temos conhecimento.

  Muros de suporte da antiga roda de rega, sendo visíveis as estruturas metálicas de suporte, na Taveira, local previsível do antigo Porto da Linhaceira; ao fundo o edifício do antigo moinho (foto Nuno Garcia Lopes)


ANTES DA NACIONALIDADE

Época pré-histórica - vestígios arqueológicos desde há 300 mil anos

Época romana - origem do topónimo Asseiceira e lenda de Santa Cita


SÉCULO XIII
1218 - Referência escrita mais antiga a Asseiceira

1222 - Doação de Asseiceira a Pedro Ferreiro

Meados do século XIII - Doação aos franciscanos para construção do Convento de Santa Cita

20 de Novembro de 1253 - Dispensa de fornecer homens, cavalos e armas

19 de Dezembro de 1281 - Confirmação da doação de Asseiceira à Ordem do Templo

5 de Maio de 1287 - D. Dinis proíbe aplicação de foros sobre Asseiceira

27 de Abril de 1294 - D. Dinis confirma a nomeação de juízes para Asseiceira


SÉCULO XIV

18 de Fevereiro de 1301 - Asseiceira recebe carta de privilégios e de povoamento

28 de Setembro de 1303 - Primeira referência à igreja de Santa Maria de Asseiceira

2 de Abril de 1307 - Primeira referência à vila de Asseiceira

2 de Janeiro de 1315 -Foral de D. Dinis - criação do concelho de Asseiceira

1320 - Primeira referência à paróquia de Asseiceira

5 de Maio de 1329 - Relego dos vinhos por D. Afonso IV

1360 - Referência ao templo a Santa Cita

2 de Março de 1365 - Confirmação de privilégios por D. Pedro I

1367 - Confirmação de privilégios por D. Fernando

15 de Novembro de 1370 - Referência aos oficiais e juízes do concelho

5 de Julho de 1391 - Primeira confirmação de privilégios por D. João I

22 de Julho de 1397 - Confirmação dos prédios rústicos e do "Couto"

5 de Novembro de 1398 - Segunda confirmação de privilégios por D. João I


SÉCULO XV

2 de Março de 1403 - Terceira confirmação de privilégios por D. João I

5 de Julho de 1429 - Quarta confirmação de privilégios por D. João I

22 de Julho de 1435 - Confirmação de privilégios por D. Duarte

1436 - D. Duarte liberta lavradores do concelho da jugada de pão, vinho e linho

25 de Março de 1439Confirmação de privilégios pelo infante regente D. Pedro

1439 - Queixas do procurador de Asseiceira nas Cortes de Lisboa

1440 - Confirmação do Convento de Santa Cita pelo papa Eugénio IV

10 de Novembro de 1449 - Confirmação de privilégios por D. Afonso V

14 de Julho de 1452 - Carta de D. Afonso V ao Convento de Santa Cita

16 de Dezembro de 1462 - Herdades da Beselga para Santa Maria dos Olivais

8 de Janeiro de 1463 - Outra herdade na Beselga para Santa Maria dos Olivais

19 de Janeiro de 1467 - Doação de Asseiceira a D. Pedro de Melo

1483 - Herdades da Beselga para a Ordem de Cristo

19 de Fevereiro de 1494  - Padroado da igreja de Asseiceira

28 de Agosto de 1494 - Herdades da Guerreira para Santa Maria dos Olivais

8 de Novembro de 1495 - Doação do padroado de Asseiceira a D. Pedro de Meneses

25 de Julho de 1497 - Confirmação de privilégios por D. Manuel

26 de Abril de 1499 - Segunda confirmação de privilégios por D. Manuel

5 de Novembro de 1499 - Terceira confirmação de privilégios por D. Manuel

1499 - Avaliação da igreja de Asseiceira

SÉCULO XVI

3 de Novembro de 1504 - Doação do padroado ao conde de Cantanhede

1 de Setembro de 1506 - Doação da renda das saboarias a Simão Lopes

2 de Novembro de 1514 - Foral de D. Manuel

6 de Janeiro de 1525 - Confirmação da doação de Asseiceira ao conde de Cantanhede

24 de Setembro de 1527 - Visita do escrivão do primeiro recenseamento do reino

24 de Setembro de 1527 - Data do registo da primeira referência conhecida à Mynhaxeira

24 de Setembro de 1527 - Data do registo da primeira referência conhecida à Lagoa do Grou

24 de Setembro de 1527 - Data do registo da primeira referência conhecida à Roda

12 de Outubro de 1527 - Documento mais antigo que se conhece referindo o Porto da Linhaceira

17 de Outubro de 1530 - Carta do juiz Manuel Nogueira onde refere a Linhaceira


terça-feira, 16 de dezembro de 2014

História de Asseiceira, 42 - Origens da Linhaceira: Porto da Linhaceira (3ª parte)

Depois de revelarmos os documentos que comprovam a existência da Linhaceira em 1530 e do seu porto, chegou então o momento de tentarmos perceber onde este se situava.
Com base nos dados revelados no auto de diligências do juiz Manuel Nogueira e facilmente comprovável por quem conhece minimamente o rio Nabão entre a Matrena e a foz, só há um sítio que se enquadra na perfeição: o remanso da Taveira, com a sua praia (a antiga Praia dos Tesos, quando as águas eram límpidas), o velho moinho e os férteis nateiros, outrora regados por aquela que era possivelmente a última roda do Nabão (em termos de trajecto do rio). Um óptimo local para semear linho e dos poucos nesta parte do rio com boas condições de acesso por terra.
As fotos, tiradas há dois dias, numa tarde sombria, não fazem jus à beleza do local, mas têm um valor histórico: são as últimas antes de a Linhaceira descobrir que, possivelmente, nasceu junto ao rio.




segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

História de Asseiceira, 41 - Origens da Linhaceira: Porto da Linhaceira (2ª parte)

O documento mais antigo que se conhece com referência à Linhaceira (escrita tal como hoje, à excepção da ortografia que, como perceberemos adiante, tinha muitas variantes) é então, o relato das diligências feitas por Manuel Nogueira, juiz da vila de Tomar, em 12 de Outubro de 1530, com vista a averiguar o estado de navegação do Zêzere e do rio de Tomar (Nabão) entre a então vila e Punhete (actual Constância), transcrita por Vieira Guimarães nos eu livro "Thomar Santa Iria".
Trata-se não apenas de um, mas de dois documentos: uma carta dirigida ao rei, que lhe incumbira a tarefa (publicada no artigo anterior e datada de 17 de Outubro desse ano) e o auto da diligência efectuada, com data de 12 de Outubro e que, pela extraordinária riqueza de pormenores, nos permite um olhar completamente novo pelas origens da nossa aldeia.
Importa agora referir uma questão importante, que levanta novos problemas: estas datas são apenas  três anos posteriores a 1527, ano em que o concelho de Asseiceira foi visitado pelo escrivão que recolhia dados para o Numeramento. Ora, aí, aparece referido "a Mynhaxeira, com seus casais".
Como veremos adiante, neste novo documento a Linhaceira aparece referida como porto, situado, naturalmente, junto ao rio.
Uma hipótese plausível é que existissem os dois lugares - a Matrena, aliás, também é referida neste documento e não surge no Numeramento, talvez porque neles não existissem habitantes.
Também pode acontecer que a Mynhaxeira (que nos aparece citada na publicação Arquivo Histórico Portuguez, de 1908) resultasse de um erro de compreensão do escrivão, ou seja mesmo uma gralha da citação mais recente.
A existirem em simultâneo, talvez a importância do porto tenha contaminado os casais e estes adquirissem o nome daquele.
Mas, mais importante do que tudo isto, é que o local deste porto da Linhaceira, numa fértil zona agrícola ribeirinha, vem dar uma nova força à teoria de que a origem do topónimo tenha a ver com o cultivo do linho (confirmado no concelho de Asseiceira já no reinado de D. Dinis).
Vejamos então as partes do auto de diligências que nos interessam especialmente:



História de Asseiceira, 40 - Origens da Linhaceira: Porto da Linhaceira (1ª parte)

Investigar a História, tal como fazer pesquisas arqueológicas ou qualquer outro tipo de investigação, é assim mesmo: por vezes folheamos milhares de documentos, deslocamo-nos a arquivos longínquos, prescrutamos os cantos mais escondidos da internet, e as evidências que queríamos estão ali, desde sempre, ao nosso lado ou mesmo à frente dos nossos olhos.
Também connosco aconteceu assim nesta tarefa hercúlea de procurar as raízes de uma aldeia cujas raízes humildes não nos legaram pergaminhos nem pedras de armas. Quando há dois anos atrás preparávamos o livro "Linhaceira e as suas escolas", e sendo apenas recolectores de memórias, não historiadores, consultámos toda a (escassa) bibliografia óbvia, as fontes que nos eram acessíveis e as pessoas com conhecimentos académicos que nos podiam ajudar.
A conclusão foi surpreendente: em 1527, segundo os dados do Numeramento, existia um lugar chamado Mynhaxeira ou Casais da Mynhaxeira, que seria o nome original da Linhaceira, topónimo que só nos apareceria escrito da forma actual num registo de casamento de 1706.
Ambos os dados foram publicados no livro mencionado, sendo que em toda a bibliografia referente à freguesia e antigo concelho de Asseiceira até então publicados (bem como em tudo o que sobre o tema se escreveu depois) nunca o nome Linhaceira é apontado em nenhum documento antes da segunda metade do século XVIII.
E foi assim que, há poucos meses atrás, tropecei no livro "Thomar Santa Iria" de Vieira Guimarães. É um clássico dos estudos tomarenses e, embora há muito esgotado nas livrarias, disponível na Biblioteca Municipal de Tomar. Nunca o tinha consultado, porém, até pelo facto de ser recente esta minha tarefa de investigador, e muito centrada numa temática que não julgava poder ali encontrar.

Qual não foi a minha surpresa, pois, ao deparar ali com a citação de um documento datado de 17 de Outubro de 1530 onde se diz: "ate chegarmos a este rio de Tomar onde per ele vyemos ate a Lynhaçeira que he abaixo de Matreina".

 

A descoberta desta preciosidade, num livro publicado há mais de um século, fez-me sorrir pela forma quase caricata como nos apareceu, mas deixou-me também pleno de esperança de que o futuro ainda nos reservará muitas surpresas sobre este tema, a História da Linhaceira, que ninguém estudara ainda até há bem pouco tempo atrás.

Serve toda esta introdução para explicar também o porquê de a série História de Asseiceira dar hoje um destaque tão grande a um assunto.
Por um lado, é preciso não esquecer que este blogue nasceu com o objectivo de contribuir para criar uma base de dados sobre a História da Linhaceira, em primeiro lugar.
Mas, por outro, grande parte da informação constante dos anteriores cerca de quarenta artigos é apenas uma sistematização dos dados recolhidos e publicados por três investigadores que abordaram a freguesia de Asseiceira: Amorim Rosa, José Rafael Sirgado e Carlos Batata. Este é o primeiro artigo em que nos debruçamos sobre um dado recolhido por nós no contexto dos estudos locais (embora já publicadas, as referências no livro de Vieira Guimarães não são abordadas na perspectiva da freguesia mas apenas do concelho centrado na cidade).
Eis o porquê de tanta conversa, que se prolongará em mais dois artigos que nos ajudarão, eles sim, a perceber esta descoberta.

domingo, 14 de dezembro de 2014

História de Asseiceira, 39 - Origens da Roda

Tal como a Linhaceira e o Grou, também a Roda faz parte da lista mais antiga de lugares habitados da freguesia (e antigo concelho) de Asseiceira: o Numeramento de 1527-1532. Com uma dimensão demográfica praticamente equivalente à dos casais da Mynhaxeira, é natural que também os casais da Roda fossem algo dispersos, a julgar pela quantidade de lugares que mais tarde nasceu naquela zona.
Embora de leitura óbvia, também a origem do topónimo deixa muitas interrogações.
O que é importante reter é que tudo leva a crer que haveria um caminho directo entre a Roda e a Asseiceira, ao contrário do que hoje acontece, e que uma das razões do seu desenvolvimento terá sido, com certeza, a proximidade do porto de Tancos, na época um dos mais importantes entrepostos da região.



sábado, 13 de dezembro de 2014

História de Asseiceira, 38 - Origens do Grou

O Grou é um dos locais mais antigos da actual freguesia, a julgar pelo facto de ser um dos quatro lugares habitados referidos no Numeramento. Aparece então com um único vizinho, ou seja, teria uma única casa com a sua família.
Se a origem do actual topónimo já se tornava evidente, o nome completo que nos aparece em 1527 vem validar essa ideia: Lagoa do Grou. De facto, o grou é uma ave pernalta que opta por espaços lacustres, como estuários ou lagoas.
E, possivelmente no fértil vale a nascente da actual aldeia, terá existido essa lagoa que lhe deu nome.



sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

História de Asseiceira, 37 - Origens da Linhaceira: Mynhaxeira

O mais antigo documento que conhecemos com referência à Linhaceira é o Numeramento de 1527-1532, de que ontem falámos, embora o topónimo aí apareça escrito Mynhaxeira.


Como veremos na próxima segunda-feira, há um importantíssimo dado novo que vem relançar todo o debate sobre a origem do nome da nossa aldeia.

Mas, para já, vamos fixar-nos nas indicações que nos são dadas sobre estes Casais da Mynhaxeira, que em 1527 teriam 15 vizinhos, o que equivale a cerca de 50 a 60 habitantes. Isto, numa época em que as mudanças eram muito mais vagarosas do que hoje, significa que o lugar já existiria há bastante tempo.
José Rafael Sirgado, no conjunto de textos alusivos aos 500 anos do Foral de D. Manuel, dá a entender que a sua origem teria tido a ver com as sesmarias, promovidas por D. Dinis para que as terras desabitadas fossem ocupadas por agricultores. É sua, aliás, a teoria de que o topónimo possa ter a ver com as geiras ou xeiras, nome dado precisamente às terras entregues para cultivo.
Daqui se pode presumir que essas terras tenham começado a ser entregues aquando da fundação da povoação de Asseiceira, ou pelo menos do seu concelho, o que daria a esses casais (então dispersos e, muito possivelmente, abrangendo espaços que mais tarde seriam ocupados por outras aldeias, como as que actualmente se reúnem nos Pastorinhos) perto de setecentos anos.
No livro "Linhaceira e as suas escolas", Miguel Garcia Lopes e Nuno Garcia Lopes defendem que uma hipótese plausível seria que, questionados onde moravam, os habitantes desses casais respondessem "simplesmente, na minha geira, acabando essa expressão por ser entendida como o nome do lugar", entre outras hipóteses linguisticamente admissíveis:


quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

História de Asseiceira, 36 - Primeiro recenseamento do reino

Entre 1527 e 1532 teve lugar um dos grandes empreendimentos administrativos da época, o primeiro recenseamento da população do reino de Portugal.
O concelho de Asseiceira foi visitado pelo escrivão Jorge Fernandes em 24 de Setembro de 1527, pelo que são dessa data os primeiros dados demográficos concretos de que temos conhecimento em relação ao nosso território, publicados no Registo das cidades, vilas e lugares que há nesta Comarca da Estremadura e dos moradores que há em cada um deles, parte do habitualmente mencionado como Numeramento de 1527-1532.
Refere este documento que nessa data existia um total de 74 vizinhos [núcleos familiares, entre três a quatro pessoas] no concelho (embora a soma das parcelas dê apenas 73) e quatro lugares: a vila (Ceiceira) com 40,  a Roda, a Lagoa do Grou e a Mynhaxeira (Linhaceira).
Sobre cada um destes três últimos lugares falaremos individualmente nos próximos dias.
Veja-se ainda a referência "a vila de Ceiceira, que he do dito dõ Jorje" - trata-se de D. Jorge de Meneses, filho do primeiro conde de Cantanhede, D. Pedro de Meneses.



quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

História de Asseiceira, 35 - Doação ao Conde de Cantanhede

Depois das duas referências à doação dos respectivos padroados, a 6 de Janeiro de 1525 o rei D. Manuel confirmou uma carta de D. João II em que eram doadas a D. Pedro de Meneses, conde de Cantanhede, as vilas de Atalaia e Asseiceira "com todas suas jurisdições cíveis e crimes, e todas as suas rendas e tributos, que em as ditas Vilas temos, guardando apenas para Nós e Nossos sucessores sua Correição e Alçada".


Este é possivelmente o retrato de D. Pedro de Meneses, de acordo com o site Genealogia em Portugal no artigo sobre os Senhores de Cantanhede:

 

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

História de Asseiceira, 34 - Foral de D. Manuel

Razão de ser das comemorações que tiveram o seu ponto alto no passado dia 2 de Novembro e que se prolongam diariamente neste blogue (e vão prolongar muito para lá do dia 2 de Janeiro inicialmente previsto), o foral novo de D. Manuel foi atribuído no dia 2 de Novembro de 1514.


"O foral ou carta de foral constitui-se como documento outorgado a uma comunidade instalada num território específico, dando-lhe uma autonomia condicionada a um conjunto de regras que deveriam ser observadas, no interesse dos moradores, das suas relações no entorno regional e com a Coroa, bem como dos direitos senhoriais e das entidades eclesiásticas sobre o território a que se aplicava", explica José Rafael Sirgado no conjunto de textos que escreveu a propósito desta comemoração.
E continua: "Nas Cortes de 1495 – D. Manuel I iniciara o seu reinado – os representantes dos concelhos fazem uma petição para que se ajustassem os antigos forais e se garantisse uma melhor governança local.
Os trabalhos da reforma Manuelina iniciaram-se em 1496 e prolongaram-se até 1520, tendo sido renovado, aprofundado e estabilizado o enquadramento jurídico-administrativo que posicionava o vínculo de posse, ocupação e exploração da terra, que se manteve desde o início do regime senhorial."
É ainda José Rafael Sirgado que faz a sínteses das principais implicações do foral para a vila e seu concelho:
"A vila, as aldeias e casais que estruturaram o povoamento e desenvolvimento económico do termo da Ceiceira viram renovada a sua identidade e integridade territorial (...). Esclareceram-se as regras fundamentais de regulação económica, fiscal e judicial, bem como as excepções que eram reconhecidas, em especial as que decorriam das Sesmarias que prendiam diversas famílias camponesas dos Casais da Minhaxeira (Linhaceira) e as isenções e privilégios que derivaram do propósito povoador de D. Dinis. A uniformização das regras veio trazer um quadro de referência facilitador das relações, dissuasor de abusos de poder e posição social de fidalgos, cavaleiros e outras figuras da hierarquia senhorial, e clarificador em situações de conflito (...). A Coroa reforça o seu poder na globalidade do reino e, nos concelhos que desde cedo dispuseram de protecção régia (como são os casos da Ceiceira e de Atalaia), esta é renovada e aprofundada, num novo quadro de centralização da administração do reino, que se torna melhor estruturada nas várias facetas da sua acção local".







segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

História de Asseiceira, 33 - Saboarias

Uma das mais antigas referências concretas à existência de determinadas actividades económicas no concelho de Asseiceira é datada de 1 de Setembro de 1506, quando o rei D. Manuel mandou que as rendas das saboarias de Atalaia e Asseiceira fossem entregues ao escudeiro Simão Lopes.



domingo, 7 de dezembro de 2014

História de Asseiceira, 32 - Doação ao Conde de Cantanhede

Praticamente nove anos depois de uma primeira referência, D. Manuel volta a emitir uma carta onde refere a doação do padroado das igrejas de Asseiceira e Atalaia a D. Pedro de Meneses, Conde de Cantanhede. Foi a 3 de Novembro de 1504, como diz Amorim Rosa.


sábado, 6 de dezembro de 2014

História de Asseiceira, 31 - Avaliação da igreja de Asseiceira

Em 1499, segundo o "Livro dos Padroados", citado por Amorim Rosa em "A vila de Asseiceira e seu termo", a igreja de Asseiceira foi avaliada em 60 libras.




sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Cronologia histórica de Asseiceira - 3

À medida que avançam os artigos sobre a História de Asseiceira é possível sistematizá-la cada vez melhor para os leitores deste blogue.
Assim, a cronologia que hoje apresentamos vai dos dados pré-históricos até quase ao final do século XV, e começa a fazer sentido estar dividida por séculos.
Para além de dar uma visão geral de conjunto sobre a História local, permite aprofundar cada acontecimento através do link automático para o artigo em causa.

D. Manuel, na recriação feita pela Oficina de Teatro Canto Firme nas comemorações dos 500 anos do foral novo de Asseiceira em 2 de Novembro de 2014 (foto de Nuno Garcia Lopes)


ANTES DA NACIONALIDADE

Época pré-histórica - vestígios arqueológicos desde há 300 mil anos

Época romana - origem do topónimo Asseiceira e lenda de Santa Cita


SÉCULO XIII
1218 - Referência escrita mais antiga a Asseiceira

1222 - Doação de Asseiceira a Pedro Ferreiro

Meados do século XIII - Doação aos franciscanos para construção do Convento de Santa Cita

20 de Novembro de 1253 - Dispensa de fornecer homens, cavalos e armas

19 de Dezembro de 1281 - Confirmação da doação de Asseiceira à Ordem do Templo

5 de Maio de 1287 - D. Dinis proíbe aplicação de foros sobre Asseiceira

27 de Abril de 1294 - D. Dinis confirma a nomeação de juízes para Asseiceira


SÉCULO XIV

18 de Fevereiro de 1301 - Asseiceira recebe carta de privilégios e de povoamento

28 de Setembro de 1303 - Primeira referência à igreja de Santa Maria de Asseiceira

2 de Abril de 1307 - Primeira referência à vila de Asseiceira

2 de Janeiro de 1315 -Foral de D. Dinis - criação do concelho de Asseiceira

1320 - Primeira referência à paróquia de Asseiceira

5 de Maio de 1329 - Relego dos vinhos por D. Afonso IV

1360 - Referência ao templo a Santa Cita

2 de Março de 1365 - Confirmação de privilégios por D. Pedro I

1367 - Confirmação de privilégios por D. Fernando

15 de Novembro de 1370 - Referência aos oficiais e juízes do concelho

5 de Julho de 1391 - Primeira confirmação de privilégios por D. João I

22 de Julho de 1397 - Confirmação dos prédios rústicos e do "Couto"

5 de Novembro de 1398 - Segunda confirmação de privilégios por D. João I


SÉCULO XV

2 de Março de 1403 - Terceira confirmação de privilégios por D. João I

5 de Julho de 1429 - Quarta confirmação de privilégios por D. João I

22 de Julho de 1435 - Confirmação de privilégios por D. Duarte

1436 - D. Duarte liberta lavradores do concelho da jugada de pão, vinho e linho

25 de Março de 1439Confirmação de privilégios pelo infante regente D. Pedro

1439 - Queixas do procurador de Asseiceira nas Cortes de Lisboa

1440 - Confirmação do Convento de Santa Cita pelo papa Eugénio IV

10 de Novembro de 1449 - Confirmação de privilégios por D. Afonso V

14 de Julho de 1452 - Carta de D. Afonso V ao Convento de Santa Cita

16 de Dezembro de 1462 - Herdades da Beselga para Santa Maria dos Olivais

8 de Janeiro de 1463 - Outra herdade na Beselga para Santa Maria dos Olivais

19 de Janeiro de 1467 - Doação de Asseiceira a D. Pedro de Melo

1483 - Herdades da Beselga para a Ordem de Cristo

19 de Fevereiro de 1494  - Padroado da igreja de Asseiceira

28 de Agosto de 1494 - Herdades da Guerreira para Santa Maria dos Olivais

8 de Novembro de 1495 - Doação do padroado de Asseiceira a D. Pedro de Meneses

25 de Julho de 1497 - Confirmação de privilégios por D. Manuel

26 de Abril de 1499 - Segunda confirmação de privilégios por D. Manuel

5 de Novembro de 1499 - Terceira confirmação de privilégios por D. Manuel

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

História de Asseiceira, 30 - Reinado de D. Manuel

Aquele que viria a conceder foral novo a Asseiceira, o rei D. Manuel, foi também um  pródigo confirmador dos privilégios concedidos pelos seus antecessores. Aqui fica a longa lista elaborada por Amorim Rosa.


quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

História de Asseiceira, 29 - Primeira doação a D. Pedro de Meneses

Data de 8 de Novembro de 1495 a primeira doação de Asseiceira a D. Pedro de Meneses, Conde de Cantanhede. Neste caso, a doação do padroado, quer da nossa vila, quer da vizinha Atalaia, como refere Amorim Rosa.


terça-feira, 2 de dezembro de 2014

História de Asseiceira, 28 - Reinado de D. João II

No reinado de D. João II, continuam os melhores terrenos agrícolas do concelho de Asseiceira a serem doados à igreja de Santa Maria dos Olivais, ou seja, à Ordem de Cristo, cujo mestre era então o futuro rei D. Manuel. Em 28 de Agosto de 1494, segundo nos diz Amorim Rosa, foi a vez de Afonso Anes lhe legar as suas propriedades na Guerreira, portanto nas imediações das referidas como Beselga.



segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

História de Asseiceira, 27 - Padroado da igreja de Asseiceira

No livro "A vila de Asseiceira e seu termo", Amorim Rosa aponta o dia 19 de Fevereiro de 1494 como de apresentação pelo rei D. João II do novo prior de Asseiceira. O texto é algo confuso, revelando, tanto quanto se percebe, apenas o nome do pároco cessante, padre Pero Lopes.